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Foto: Dado Marietti

Não queria e nem imaginava que a minha segunda publicação nesse espaço seria uma verborragia sobre tristeza ou um desabafo pessoal. Pensei muito em escrever ou não esse texto, mas é através da palavra que eu tenho me virado nos últimos tempos.

O BBB passava na televisão, várias mensagens no Whatsapp, Instagram. Um amigo que não falo há tempos me procurou. Tive umas reuniões. Vi uma pessoa, que gosto muito, chorar. Gente, o Paulo Gustavo. Tem que fazer homenagem pro Paulo Gustavo. Mas ele ainda não morreu. Não é possível, será? Morte cerebral. Abro o photoshop. Abro o word. Paulo Gustavo. Morreu mesmo? Não, eu não vou fazer nada antes que isso seja cem por cento confirmado. Eu me recuso. Preciso ver o BBB, quem já cantou? Preciso estar presente aqui nessa conversa. Por favor, não se subestime tanto, você é imensa. A Karol Conká cantou? Arrepiei com o Lucas Penteado e o Projota. Vai, vai lá, não tenha medo do pior. A mãe de um amigo querido também morreu. Sinto muito. Eu sinto muito mesmo. Mas não é possível, é confirmado? Saiu na CNN. Morreu. Que tristeza. Juliette é campeã. Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa. Dois filhos. Dias das mães tá chegando. Dona Hermínia, você vai passar lá em casa!

O Matheus lavou a cozinha toda de madrugada, acordei e tava um brinco. Diz ele que o rodo caiu no chão e fez barulho. Não ouvi nada. Acordei. Uma sensação de mundo acabando e ao mesmo tempo uma vontade imensa de viver. Não consigo fazer tudo que eu preciso. Nem ter um dia normal. Porque simplesmente não é. Como ontem não foi, como não tem sido há tempos.

Fui fazer almoço, varrer as folhas que estavam há dias no chão lá de fora, lavar a louça. Uma vontade imensa de chorar. Anteontem a porta do guarda-roupa caiu no dedão do meu pé e ontem ela caiu de novo no mesmo dedo. Isso me fez pensar que tem dor que é pra doer. Tá roxo. Será que a unha vai cair? Puts, cortei também um dedinho do outro pé. No mesmo dia e na mesma porta do guarda-roupa. Não é possível. O que tá acontecendo? Menina, não tem nada a ver, mas tem dor que é pra doer!

A partida de Paulo Gustavo é isso, uma dor que é pra doer.

E é pra doer, mais do que deveria, porque traz uma sensação de que não era pra ter sido assim. Que não, não era a hora dele. Não tem nada disso. Tem a ver com negligência. Uma revolta que só faz doer mais. Me pego pensando, o tempo todo, em como é possível estarmos vivendo isso. E fico querendo acordar. Acordar em outro lugar onde seja possível ter uma esperança qualquer. Enquanto isso não acontece eu tô inventando. Inventando esperança o tempo todo em todas as coisas. Fazendo piada pra enganar que tô cada vez mais sem motivo pra rir. Inventando uma tranquilidade que não existe. E eu sinto que não me resta outra alternativa além de inventar, incansavelmente, até que outra realidade possível apareça. Sinto muito. Eu sinto muito mesmo.

Paulo Gustavo, a sua existência me inspira de diversas maneiras.

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